"TALENTOS QUE EDUCAM": NOVAS TECNOLOGIAS, NOVOS PROFESSORES

O concurso “Talentos que educam” é uma iniciativa da BIC em parceria com a Project Hub e o Ministério da Cultura para estimular que educadores ensinem por meio de material audiovisual. Os 3 vencedores receberão 50 mil reais para gerar conteúdo. Veja como se inscrever e saiba mais no site do concurso.

O simpósio de abertura do concurso, que aconteceu no dia 29 de abril no Teatro Eva Herz em São Paulo, começou com apresentações de representantes da BIC. Melhor que falar sobre a filosofia da empresa em relação à educação, é assistir o comercial abaixo. Com esse gancho, de acreditar que as inovações em educação são, muitas vezes, mais simples do que parecem, começou o compartilhamento de experiências com entusiastas do poder transformador da educação.

 

“Escola não é conhecimento compartilhado. Escola é conhecimento ditado do que é relevante.”

Para Gilberto Dimenstein, fundador do Catraca Livre, a escola e a universidade estão muito descoladas da realidade de seus alunos. A velocidade com que as tecnologias estão se desenvolvendo gera microconflitos de geração, de forma que é preciso estar em constante processo de aprendizado e atualização. Essa não é uma percepção nova, as principais universidades americanas, por exemplo, já estão criando incubadoras para não perder seus alunos, inquietos por empreender e colocar em prática suas ideias.

“As escolas e universidades atuais só podem formar obsoletos ou vagabundos”, afirma Dimenstein. Ainda que soe radical, a afirmação faz sentido: o aluno sai da escola sem saber como buscar informações por si mesmo, depois, sai da universidade já desatualizado sobre as últimas inovações da área. A não ser que parta dele a iniciativa de buscar esses conhecimentos fora dessas instituições, mas, então, para que elas serviriam?

“Filho, você estudou tanto, para ser professor?”

O professor de física Ivys Urquisa levou ao palco do Eva Herz uma vivência bem diferente: junto com um grupo de jovens movidos pelo desafio de virar referência no país, criou o canal Física Total, o mais conhecido do Brasil. O maior objetivo do canal hoje é criar e expandir sua capilaridade: atingir o maior número de pessoas diversas partes do país. Em 1 ano de trabalho, seus vídeos foram assistidos pelo que equivaleria a 20 anos de aulas presenciais. “É um jeito de se tornar imortal e sentir que está fazendo parte de uma revolução”, conta.

“A arte contribui com a democratização das ideias.”

Lais Bodanzki da Buriti Filmes, diretora do documentário Educação.doc — e tantos outros filmes, como Bicho de sete cabeças — compartilhou um pouco do que viu nas escolas públicas que acompanhou durante as filmagens. “Não existe fórmula para um projeto dar certo, mas em encontramos um ponto em comum entre as escolas: um grande sonho coletivo”, conta. O que move os projetos que aparecem no documentário é o desejo de mudança e de se apropriar daquilo que é público.

“Audiovisual na escola não é só para ver, é para ser feito”, defende, reforçando a ideia do concurso Talentos que Educam. Os alunos precisam saber “ler” o filme, entender que ele representa um recorte, uma narrativa, a opinião de quem o fez; e, ao mesmo tempo, é enriquecedor ter a experiência da produção, que é coletiva e dá voz e poder para os alunos. “Primeiro vem a narrativa e a emoção, depois a curiosidade”, diz ela. E com essa curiosidade, vem também o aprendizado.

As colocações finais, do Caio e do Rafael Procópio, foram mais rápidas, pegando carona em muito do que foi dito anteriormente. Caio contou suas experiências na sala de aula do Transform+ação, onde experimenta as dores e delícias de educar. Compartilhou a dificuldade de lidar com "alunos que ficam no celular o dia todo, mas não sabem o que fazer com a liberdade que recebem nessa aula".

Já Rafael Procópio, nascido e criado no Realengo no Rio de Janeiro, contou do sonho de proporcionar uma educação matemática de qualidade e mais democrática, por meio das videoaulas de seu canal e materiais de apoio que disponibiliza em seu site. Ele também foi ganhador do Creator Camp do YouTube e teve a oportunidade de conhecer a empresa em Los Angeles.