Nessa manhã, saí esbaforida da estação W4 para chegar no Washington Square Park. Havia combinado de encontrar com uma amiga de Cingapura. Fomos conhecer a Feira de Ciências local que estava rolando. O parque estava lotado de famílias e cheio de barraquinhas com experiências simples e divertidas para aguçar a curiosidade das crianças em relação à Ciência. Qual foi a minha felicidade ao constatar que a experiência mais legal de todas era uma pista preenchida com  líquido não-newtoniano onde as crianças podiam andar sobre as águas. Experiência que faço com meus alunos no Brasil!

O relógio bateu meio dia e fomos para o workshop “Making Time”. Foi uma sessão muito divertida onde construímos relógios. Foi maravilhoso e totalmente mão na massa. Eu criei um relógio com circuitos de leds. Estava na esperança que refletisse o conceito de estrelas no espaço sideral. Só que não calculei o tempo de prototipagem direito e, como fiz correndo, a soldagem dos circuitos ficou muito porca e frágil. Isso fez com que as leds parassem de funcionar em dois segundos. Mas no fim os ponteiros estavam girando e eu me senti satisfeita com o resultado, mesmo que capenga.

 
Educação Maker Tunnel Lab parede com colagens

Ponto de virada

Não consegui participar da segunda aula do dia, e ela era sobre a construção de campos de mini-golfe. GRANDE erro, os projetos ficaram incríveis. Enquanto o pessoal se divertia, eu resolvi dedicar minha atenção ao segundo workshop de criação de relógios. Nele, iríamos, supostamente operar modificações nos relógios já desenvolvidos via microcontroladores.

a aula foi um D-E-S-A-S-T-R-E.

Os líderes – como chamamos as pessoas que tocam cada sessão – estavam completamente despreparados. (Vamos lembrar que são os mesmos do primeiro workshop que tinha sido maravilhoso). Eles ficaram uma hora montando o protótipo de demonstração, numa falação interminável, enquanto as pessoas ficavam olhando. Não havia tutorial passa a passo. Meu olho já estava pesando.

Educação Maker Tunnel Lab boneco de sucataFinalmente, em determinado momento a falação acabou e um dos líderes perguntou se as pessoas preferiam montar os relógios com os microcontroladores ou falar sobre tempo virtual. Eu levantei minha mão o mais alto que pude e um cara me acompanhou. Enquanto isso, o resto do grupo disse que queria continuar com a falação. Não deu 5 minutos TODOS do grupo estavam procurando as placas de Arduino. A maioria das pessoas nunca nem havia segurado um ferro de solda antes. Isso me fez concluir que além de chata, a aula estava sendo inútil pois ninguém ali estava conseguindo acompanhar nada. As pessoas estavam fazendo aquilo que sempre fazem dentro de sala quando a aula é ruim: FINGINDO que estavam entendendo o que estava se passando ali.

Tive vontade de sair de sala, mas ia pegar meio mal pois pra variar eu estava bem na cara do líder da sessão. Então, fiquei trabalhando em um projeto meu por de trás do computador enquanto contava os minutos para que desse 19 horas.

Quais foram os aprendizados

Apesar de frustrante, essa segunda sessão fracasso dos relógios, foi um ponto de virada. Foi uma confirmação de quão importante, necessário e desafiador é o desenvolvimento de práticas que possam auxiliar o trabalho dos professores. E de como o mesmo professor pode ser terrível em uma aula e INCRÍVEL em outra, isso  em questão de segundos. Também fiquei particularmente feliz pois esse episódio serviu de combustível para o desenvolvimento da sessão que como bolsista do programa eu tenho que obrigatoriamente oferecer para o pessoal do camp.

Alguém consegue adivinhar qual será o tema do meu workshop? Começa com T de TERRIBLE e termina com T de TEACHING! =)

Brasileira que está participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. O resultado final dessa jornada será a criação do “Livro das ferramentas”, uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas de maneira simples e de baixo custo. Confira todos os relatos aqui.