É meia noite e posso dizer que sobrevivi ao primeiro dia do camp. Começamos o programa com uma breve apresentação das pessoas. Afinal, são 150 campers de vários lugares dos Estados Unidos e do mundo, como Cingapura, México, Suíça e até Pólo Norte.

Como o Camp é organizado pelo Programa de Mestrado de Telecomunicações Interativas, a galera de VR, AR e Machine Learning está em peso aqui. Pude observar isso no menu de aulas. O Programa se chama Camp, porque é um acampamento mesmo. Os participantes postam as aulas dentro do site do programa e nós escolhemos se queremos assistir ou não. Temos desde machine learning e escrita de código a  treinamento em artes marciais militares russas (e eu estou falando SÉRIO neste último exemplo).

O laboratório do ITP, embora fique no mesmo prédio que outros cursos é totalmente aberto. Com mesas de trabalho coletivo e todo o tipo de máquinas, estações e ferramentas. Não existe uma nenhuma sala com carteiras convencionais e acho que isso já diz muito sobre a filosofia deste Lab.

A aula inaugural do camp foi de Programação Criativa com um professor da Universidade do Colorado. Utilizamos uma plataforma online chama P5.js, que é muito interessante para quem está aprendendo a programar. É super friendly e conta com um banco de informações ENORME. A aula terminou com um exercício onde fizemos um emoji com os códigos. A grande lição que ficou desta aula foi uma constatação sobre o futuro do ensino da programação. Não se trata apenas de escrever códigos para criar coisas funcionais e sim escrever códigos para criar coisas expressivas.

 

Foi o tempo de tomar um copo de água e outra aula já estava começando. Foi uma atividade bem divertida: a criação de luvas interativas que acendem leds ao se tocarem. Nada tem como dar errado com Wearables, e foi divertido ver 150 pessoas se enrolando com linha e agulha. Esta aula foi dada pela Kate Hartman, que é professora da NYU e diretora do Camp.

O protótipo do novo livro começou a ser criado

No final do tarde o Lab já estava livre para a criação de projetos pessoais. Consegui chegar a fazer 3 protótipos bem legais e com uma funcionalidade bem razoável. Para isso, usei apenas materiais reciclados ou facilmente encontrados no dia a dia. Não vou ficar dando spoiler, mas um protótipo de VR ficou BEM INCRÍVEL. Na minha opinião, mais legal do que o cardboard que não cabe em todos os celulares e é chato pra caramba de montar se você for fazer do zero.

Pisquei e  as luzes do Lab já estavam se apagando. Os assistentes entregaram a minha bolsa, na esperança de que eu fosse embora e eles pudessem fechar o prédio. Afinal de contas já estava para bater 22 horas e todo mundo merece descansar um pouco no sábado a noite, não é mesmo?

Peguei o metrô da linha D e vim matutando no caminho sobre o que estava por vir nesses próximos dias de Camp e como o dia de hoje havia sido um dos mais produtivos que tenho lembrança. Que Nova York tem seus encantos todo mundo sabe, mas estudar tecnologia aqui chega a ser covardia.

Brasileira que está participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. O resultado final dessa jornada será a criação do “Livro das ferramentas”, uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas de maneira simples e de baixo custo. Confira todos os relatos aqui.