O jornalismo infantil e a Participação das crianças

Não é de hoje que as crianças são tratadas como indivíduos menos importantes perante a sociedade. No jornalismo infantil esse cenário não é diferente. Foi com esse viés que Juliana Doretto inicia a sua tese ‘Fala connosco!’: o jornalismo infantil e a participação das crianças, em Portugal e no Brasil.

Em 20 de novembro de 1989,  a Assembleia Geral da ONU aprovou a Convenção sobre os Direitos da Criança, que define alguns parâmetros que deveriam ser adotados em todo o mundo, entre as linhas de definição, o documento sugere o direito à “Participação” dos pequenos.

Segundo a pesquisadora: “Nesse conceito, elas não são “objetos de proteção”, mas “sujeitos de direito”; ou seja, a responsabilidade de pais, educadores e tutores não elimina a possibilidade de a criança expor suas ideias sobre sua vida e de participar dos processos de escolha e de decisões que fazem parte não apenas de seu crescimento mas também do desenvolvimento de sua cidade, de seu país e do mundo (lutar por sua “vontade de verdade”).

Diversas foram as tentativas de implementar um jornalismo para crianças, mas, a maioria delas falhou e hoje se encontra fora de circulação, principalmente na parte impressa, como a Folhinha, o Estadinho e o Globinho. A pesquisadora percorre veículos do Brasil e de Portugal e investiga a ação dos mesmos sobre as crianças dos respectivos países.

Nesta tese, Juliana discorre sobre os motivos que podem ter ocasionada essa perda de audiência e a implicação que a falta de notícias destinadas ás crianças pode acarretar no próprio desenvolvimento educacional do indivíduo, que acaba crescendo sem saber diferenciar os canais de notícias, dos canais de informações gerais.

Em uma era de informação rápida e acessível, é importante que o jornalismo infantil seja levado a sério e possua o seu espaço, já que ele pode contribuir para diversas áreas do desenvolvimento cognitivo.

 

Beatriz CarvalhoComment