Imagem de um menino sentado, de pernas cruzadas e com os olhos fechados meditando
(Pixabay)

O desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos alunos se tornou uma das novas preocupações das escolas atualmente. O autoconhecimento e a capacidade de lidar com as próprias emoções são competências que ganharam a atenção das instituições.

Por isso, tanto na rede privada quanto pública, há uma busca por ferramentas que proporcionem experiências cada vez mais humana. Nesse cenário, surgem alternativas como as práticas meditativas, em especial a “atenção plena” (ou mindfulness). Essa prática é definida como um estado mental em que o indivíduo direciona sua atenção ao momento presente, sem julgamentos. Para isso, o exercício mais comum é fechar os olhos, deixar a coluna ereta e manter um foco de atenção, que pode ser até a própria respiração.

Inteligência emocional

Ainda há muitos estudos a serem realizados sobre o assunto. No entanto, muitas escolas que incorporaram essas práticas relataram melhorias significativas. Especialmente na redução do estresse e no aumento do autocontrole. Afinal, oferecer um momento de relaxamento e foco para os alunos e quebrar o ritmo acelerado em que eles estão submetidos pode ser muito positivo. Além disso, a prática pode ser uma boa alternativa para aumentar o engajamento dos alunos na escola e oferecer um ambiente mais humano e acolhedor. 

Em Porto Alegre (RS), o projeto SENTE, iniciativa do Infapa (Instituto da Família de Porto Alegre), leva o mindfulness como parte de um programa de educação socioemocional às crianças da rede pública desde 2007. Os alunos do 5º ano – que estão a um passo da transição do ensino fundamental 1 para o 2 – passam por 12 intervenções oferecidas pelos voluntários do projeto. Elas incluem, entre outras atividades, a prática do mindfulness. Os benefícios relatados estão relacionados à melhoria de relações interpessoais, aumento do bem-estar e auxílio em questões como brigas entre colegas.

O Colégio Mary Ward, de São Paulo (SP), também tem um programa semelhante. Com início em 2017, ele é direcionado para alunos do período integral. Alexandra Grassini, professora responsável por esses alunos e criadora do projeto, conta que conduz sessões de mindfulness de diferentes durações. “Antes de ir à biblioteca, por exemplo, às vezes o grupo está muito agitado. Então, convido os alunos a fazer o mindfulness por alguns minutos, para acalmar”, diz. Já nos exercícios mais longos, as crianças sentam em círculo e são convidadas a prestar atenção no movimento da respiração e nos sons do ambiente. Depois, elas compartilham quais ruídos conseguiram captar. Seja alguém balançando um molho de chaves no corredor, os barulhos das conversas nas outras salas, e assim por diante. Apesar dos resultados não serem imediatos, aos poucos as crianças se tornam mais conscientes e desenvolvem mais a concentração. 

Cultura de paz

Outro aspecto que a meditação pode ajudar a desenvolver é a difusão de uma cultura de paz, já que a prática está relacionada à calma e ao aprendizado de como lidar com as emoções. A cultura de paz faz parte, inclusive, dos temas incentivados pela Unesco. Na Escola Estadual Joaquim Luiz de Brito, de São Paulo (SP), o professor de filosofia Fábio Lima criou o projeto ‘Brito na Cultura da Paz’, por exemplo. Criado no ano passado, ele conduziu sessões de meditação para todos os alunos da escola. O professor diz ter o cuidado de tornar a meditação laica e universal. Assim, os alunos podem focar a concentração até mesmo na visualização de uma paisagem. “O importante é manter o foco. Sem enfatizar a questão da crença.”

Cuidados

Apesar de as práticas meditativas apresentarem benefícios, alguns cuidados devem ser tomados por parte das escolas. No caso da rede pública, a laicização das práticas utilizadas se faz fundamental. Além disso, tanto o mindfulness quanto outras técnicas meditativas não devem ser encaradas como a solução dos problemas da escola. Mas sim como ferramentas auxiliares. “Vejo o mindfulness como peça de um quebra-cabeça dentro da complexidade da escola, e que contribui, de forma efetiva, no desenvolvimento emocional das crianças”, avalia Alexandra Grassini, professora do Colégio Mary Ward.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “Escolas adotam mindfulness e outras técnicas meditativas para desenvolver habilidades socioemocionais dos alunos“, da Revista Educação. Leia a matéria original e na íntegra clicando no link.