O encontro apresenta de forma introdutória os equívocos presentes na lógica do discurso dos profissionais da saúde e da educação que afirmam diagnósticos de TDAH e Dislexia. O evento acontecerá no Instituto Singularidades, em São Paulo, no dia 16/6. Inscreva-se aqui.

As pesquisas nos mostram que após a APA (American Psychiatric Association) publicar o DSM-III (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), em 1980, e incluir o TDAH em sua lista de distúrbios e doenças mentais, milhares de crianças de diferentes países passaram a ser diagnosticadas e medicadas com o Metilfenidato, mais conhecido pelo nome comercial de Ritalina, ou Concerta.

Nos últimos vinte anos, a droga passou a ser comumente indicada para o tratamento de possíveis transtornos e distúrbios relacionados ao processo de aprendizagem de crianças e adolescentes. Após o consumo desta droga ser autorizado no Brasil, em 1998, milhares de crianças e adolescentes tornaram-se usuárias.

Isso fez o país o segundo maior consumidor da droga no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados do Instituto de Medicina Social da UERJ em dez anos o consumo desta droga cresceu 775% no Brasil.

TDAH: selo de divulgação do encontro sobre medicalização na Educação
Os médicos que ratificam os diagnósticos estão afastados das escolas e não conhecem de fato as crianças por eles medicadas. Os professores que acompanham as crianças nas escolas não possuem conhecimento nem autoridade para contestar os diagnósticos dos profissionais da saúde. É preciso trabalhar na interface da saúde e da educação para não transformar problemas pedagógicos em patologias.

Jamais foi encontrado um marcador genético consistente. Os estudos de neuroimagem mostraram-se incapazes de identificar uma etiologia diferente para questões como TDAH e Dislexia. A neuroanatomia do cérebro das pessoas diagnosticadas, como demonstrado por estudos de imagem é normal.

Os profissionais que afirmam o TDAH e a Dislexia partem de concepções equivocadas. Isso tanto sobre o funcionamento do cérebro quanto do ser humano, da inteligência e da aprendizagem. Neste encontro ofereceremos uma perspectiva integral, holística e sistêmica destes conceitos para demonstrar a inconsistência desta perspectiva segmentada do ser.

Conheça os palestrantes

Denis Plapler. Sociólogo formado pela PUC-SP, Mestre em Filosofia da Educação pela FE – USP, atualmente atua como Assessor Pedagógico para o Instituto Alana. 

Jason Gomes. Fonoaudiólogo, (PUC-SP), Mestre e Doutorando em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência pela UNIFESP. É membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Histórico-Sociais Sobre Escola e Docência. Também participa do Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Saúde. 

Post com modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da descrição do evento “Medicalização da Infância: doenças que se pegam na escola”.