São Paulo tem em sua história diversos territórios negros que surgiram durante o período escravocata. O Centro de Culturas Negras do Jabaquara (CCNJ) tem como missão manter viva a história de resistência e valorização das culturas negras.

A Casa, que hoje integra o Museu da Cidade, foi levantada por escravos e logo se tornou ponto de resistência. Quando padres mudaram-se para o Sítio da Ressaca, não raro abrigavam negros em fuga da escravidão. Em 1980, ao lado da casa feita de taipa de pilão, ergueu-se o prédio de vidro e concreto que hoje abriga o CCNJ.

Neste local, um grupo de professores realizou o curso “Potenciais Educativos do Território Urbano: rumo à uma Cidade Educadora”. Guiados pelo coletivo Crônicas Urbanas, os educadores exploraram o apagamento da identidade negra de territórios consagrados de São Paulo, como o Bixiga e a Liberdade.

Os territórios negros em São Paulo

Os historiadores Fábio Dantas e Lilian Arantes e a publicitária Fernanda Fragoso Zanelli ouviram as histórias dos professores com a cidade de São Paulo. Eles apontaram para o fato de que são raríssimas as vezes em que o elemento étnico-racial faz parte dos relatos. Segundo os especialistas, essa já é uma primeira forma de apagamento das vivências negras no território. Esse processo fica ainda mais evidente quando pouco se fala de tradições ou histórias não-brancas em determinados bairros.

A Liberdade, por exemplo, antes da imigração japonesa, tinha forte tradição africana. A Praça da Liberdade era chamada de Largo da Forca. Ali eram condenadas, mortas e enterradas as pessoas escravizadas que lutaram por sua libertação. De maneira similar, o bairro do Bixiga era sede de diversos jornais e associações negras, como o Clarim D’Alvorada. Hoje, ambas as regiões são conhecidas por outras colonizações. Isso reforça como a política governamental de embranquecimento da cidade teve grande alcance.

Coletivo Crônicas Urbanas
Os historiadores Fábio, Lilian e a jornalista Fernanda são membros do coletivo Crônicas Urbanas. O grupo trabalha direito à cidade com perspectiva racial (Reprodução/Portal Aprendiz)

Itinerâncias da Experiência Negra

Contemplado pelo edital Redes e Ruas de 2016, o Crônicas Urbanas iniciou a empreitada de resgatar uma história sistematicamente apagada formal e informalmente em toda a cidade, a partir do mapeamento de territórios negros. Os pesquisadores realizaram um extenso trabalho histórico com o objetivo de cartografar a São Paulo negra. O resultado desse levantamento realizado pelo Crônicas Urbanas pode ser conferido no Guia dos Itinerários da Experiência Negra: Um passeio histórico por São Paulo.

Mata dos territórios negros em SP
Mapear os pontos de resistência negra é um dos trabalhos do coletivo Crônicas Urbanas (Reprodução/Portal Aprendiz)

Potenciais Educativos

O curso “Potenciais Educativos do Território Urbano: rumo à Cidade Educadora” é uma iniciativa da Associação Cidade Escola Aprendiz. A iniciativa que incentiva o conhecimento dos territórios negros na cidade de São Paulo foi viabilizada por meio do Programa Cidades Educadoras. Para a execução, foram criadas parcerias com a Diretoria Regional de Educação do Butantã e coletivos, instituições e organizações sociais de São Paulo.

Fonte: Portal Aprendiz