Crianças caminhando pela Cidade educadora Horizonte
Crianças caminhando pela cidade Horizonte (Divulgação/Facebook da prefeitura)

Localizada a 40 km de Fortaleza, capital do Ceará, Horizonte é a única cidade do Estado e também do Nordeste a integrar a Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE).

O compromisso, firmado em 2016, inseriu o município em uma rede de cidades no Brasil e no mundo. Nessa rede, há o comprometimento de reconhecer e promover seu papel educador na formação integral dos habitantes. Assim, rompendo com a lógica de políticas fragmentadas e baseando-se na intersetorialidade. Alguns exemplos são áreas como educação, saúde, meio ambiente e cidadania.

Em 2017, a Secretaria Municipal de Educação e a Prefeitura de Horizonte convidaram Márcio Carvalhal, coordenador da Rede Juntos pela Educação Integral, a desenhar juntamente à gestão um programa de Cidade Educadora.

Especialista na implementação de projetos similares – foi um dos responsáveis pela criação do Ecomuseu de Maranguape (CE)  – Márcio conta como tem sido essa trajetória. “De agosto até dezembro de 2017, estruturamos uma formação sobre educação integral e cidade educadora agregando as secretarias da cidade. Já este ano, formamos um grupo de trabalho para construir o programa”.

O grupo se concentra na produção de conteúdos, metas e estratégias. Seu objetivo é ajudar a sistematizar e oxigenar práticas educadoras já existentes na cidade. Assim, é possível sua multiplicação: “Horizonte tem muitas ações de cidade educadora, mas elas estão isoladas. O programa vem fortalecê-las, dando sentido e intencionalidade educacional, possibilitando sua inovação”, elucida Márcio.

Memória e escuta: conheça algumas práticas educadoras de Horizonte

Sala de memórias de Horizonte

As práticas do território horizontino são possíveis porque, segundo o coordenador, a população local tem boa predisposição para fazer uso de espaços públicos e está aberta a novas experiências pedagógicas. Uma das iniciativas são as Salas de Memórias.  Essas casas antigas e desabitadas foram convertidas em museus onde moradores contam histórias. Assim, eles preservam patrimonial e memorialmente seu bairro.

Na área de cidadania, Prefeito Mirim  é um projeto onde uma criança se candidata para ser prefeita pelo período de dois anos. Com isso, há um envolvimento efetivo nas políticas públicas da cidade. Ela tem disponível a verba do Orçamento Participativo da Criança e do Adolescente. Assim, ela pode usar isso para aplicar em projetos escolhidos pela comunidade infantil. Ano passado, uma das ideias votadas foi a construção de parques infantis nas praças. Outras sugestões vencedoras foram escolas de futebol que funcionem aos sábados e realizações de competições esportivas entre as escolas.

Já na área da saúde, a cidade se destaca pelo incentivo ao parto humanizado. Eles apostam na formação profissional de doulas e parteiras para assistir mulheres que optarem por esse tipo de concepção. O Hospital e Maternidade Venâncio Raimundo de Sousa é referência na temática e foi convidado a falar na Semana das Cidades Educadoras.

Cidade educadora pressupõe educação integral

Durante a tecedura do programa Cidade Educadora, o grupo de trabalho tem enfrentado o desafio de discutir a escola integral para além do alargamento da jornada diária. Márcio acredita que será um processo lento transformar a escola tradicional. Afinal, nesse modelo as provas ainda balizam a qualidade do ensino, em espaços que entendam a concepção de sujeito integral.

“Ainda existe uma ligeira resistência em colocar a escola à serviço da comunidade. Porque ainda se tem o conceito de que a rua é um lugar perigoso e de que é preciso tirar os jovens dela”. Ele reforça que um dos motes de lançamento do programa será justamente a compreensão de que a cidade educadora só é possível se a educação praticada nela partir da concepção de desenvolvimento integral do ser humano. A partir dessa perspectiva da educação, o engajamento dos alunos é algo muito mais natural e comum. Consequentemente, questões como a evasão escolar, por exemplo, podem ser resolvidas com mais facilidade.

Além da consolidação de metas, estratégias e conteúdos, Márcio prevê que o programa incentive a participação da sociedade. “Durante sua execução, serão identificados líderes, em especial as mulheres, que têm bastante força nas comunidades”, ele conta. “Esses líderes precisam de uma organização mínima para formar comitês locais de comunidades educadoras que adicionem ideias ao programa”.

O GT reuniu-se para seu último encontro no dia 21 de fevereiro e pretende finalizá-lo em março. A ideia é apresentá-lo em abril para a prefeitura e Secretaria de Educação e também no Encontro de Redes Brasileiras de Cidades Educadoras.  O encontro acontecerá esse ano em Vitória (ES), sede nacional da Associação Internacional de Cidades Educadoras. Depois de aprovado, o programa terá duração até 2020.

Matéria publicada pelo Portal Aprendiz.