FINANCIAMENTO COLETIVO NA EDUCAÇÃO: COMECE HOJE!

O crowdfunding (ou financiamento coletivo, em português) pode ser usado por pessoas ou organizações para levantar recursos para um projeto através da contribuição de outras pessoas. Essa modalidade é uma alternativa para quem quer tirar um projeto do papel sem ter que contar com ajuda de editais públicos ou para substituir a "vaquinha" em projetos menores, deixando a arrecadação mais organizada.

Como fazer

O primeiro passo é escolher a plataforma que melhor se encaixa na sua campanha. São várias: CatarseJuntos.com.vcBenfeitoriaVakinha entre outras. Essas plataformas têm cada vez mais recursos para ajudar o realizador do projeto a definir um valor realista, engajar suas redes e escolher uma modalidade de campanha.

Na maioria, você pode escolher entre uma campanha Tudo ou Nada - em que o dinheiro volta aos apoiadores se a meta não for atingida - ou Flexível - em que o realizador fica com todo o dinheiro arrecadado, ainda que não bata a meta.

Quer se aprofundar mais? O Catarse oferece um ebook gratuíto, o Faz um Catarse com tudo que você precisa saber para começar, além de diversos vídeos sobre os desafios de uma campanha. A Benfeitoria também disponibiliza um curso online para quem quer entender mais sobre o assunto.

Nossa experiência

Não é de hoje que o Caindo no Brasil levanta a bandeira do financiamento coletivo. Nosso livro, por exemplo, só pôde ser impresso depois de uma campanha que levantou mais de R$ 30 mil para cobrir as despesas. Mas nem todo projeto precisa levantar valores altos: os alunos do Transform+ação - projeto do Caio Dib na Escola Santi - levantou cerca de R$ 3 mil para imprimir mapas que foram distribuidos no bairro do Paraíso durante a Copa do Mundo.

Campanha do livro Caindo no Brasil no Catarse

Campanha do livro Caindo no Brasil no Catarse

Os movimentos da educação no financiamento coletivo

Em 2014 o Catarse divulgou os resultados da pesquisa "Retrato do Financiamento Coletivo no Brasil". Os resultados destacavam a Educação como principal interesse dos apoiadores - 65% dispostos a contribuir com projetos dessa categoria - mas também como principal categoria em que faltavam projetos relevantes, segundo 36,8% dos apoiadores.

Gráfico divulgado na pesquisa do Catarse em 2014

Gráfico divulgado na pesquisa do Catarse em 2014

Diego Reeberg, cofundador do Catarse, conta que essa "defasagem" não durou muito e que esse panorama mudou muito: “Nos primeiros 6 meses depois da pesquisa, foi lançada a mesma quantidade de projetos que haviam sido lançadas nos 3 anos anteriores e agora já são 284 campanhas finalizadas (122 financiadas), que distribuíram R$2,2 milhões.”

Esse movimento se espalhou para outras plataformas de financiamento coletivo: no juntos.com.vc são cerca de 66 projetos de educação em andamento ou finalizados, dos quais só 9 não atingiram a meta desejada; na Benfeitoria é possível navegar por 261 projetos dessa categoria, a maioria bem sucedidos. Já existe até uma plataforma  voltada exclusivamente para apoiar projetos de educação, o A+ Educação.

“Um ponto importante da pesquisa foi deixar claro que projetos de educação podiam usar o financiamento coletivo (muita gente achava que era só para cultura) e tinham um motivo ainda mais forte, já que as pessoas queriam mais projetos para apoiar”, conta Diego.

Aprender com os exemplos

Antes de começar um projeto, é importante explorar quais campanhas já foram financiadas nesse modelo. Vale a pena até entrar em contato com os realizadores desses projetos - sejam eles bem ou mal sucedidos - para entender quais foram os desafios e aprendizados.

A maior campanha de educação financiada no Catarse levantou R$ 603.000 para um produto que resolvia um problema de educação para arquitetos e engenheiros, o Mola. Você deve estar se perguntando qual foi o segredo do sucesso desse projeto, né? “Vejo 3 diferenciais, coisas que muita gente que faz campanha não faz”, conta Diego.

Então anota aí as dicas dele:

  1. Resolver um problema real para o público alvo.
  2. Planejar a campanha minuciosamente e sustentar uma rede de relacionamentos disposta a apoiar o projeto.
  3. Fazer uma apresentação (vídeo e texto) bonita, que passe confiança no projeto.

Precisa de mais inspiração? O Porvir também dá 10 dicas sobre como usar o crowdfunding na educação. Nos próximos meses, vamos continuar falando de financiamento coletivo aqui no blog, mostrando casos de sucesso, casos que não atingiram sua meta e divulgando uma seleção de projetos legais para apoiar todo mês.

por Sabrina Coutinho

Foto de capa: Pars Herald