Imagem de dez alunos da Escola Vila Verde nadando em cachoreira durante passeio da escola
(Divulgação/Facebook)

Uma escola onde os alunos aprendem por projetos, valorizam o meio ambiente e exercitam o autoconhecimento. Assim é a Escola Vila Verde. A instituição é localizada no meio do cerrado, em Alto Paraíso de Goiás (GO). Particular e filantrópica, a escola foi criada em 2010 por um grupo de pais preocupados com a qualidade do ensino na cidade de cerca de sete mil habitantes.

Com uma área de 46 hectares ao lado do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a escola foi construída sem muros ou cercas. Além disso, eles têm como missão “educar para a felicidade e educar para a cultura da paz”. Desde 2014, é mantida e gerida pelo Instituto Caminho do Meio, braço social do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB).

Reconhecimento nacional e internacional

Por trabalhar aprendizagem ambiental de forma inovadora, a Vila Verde ganhou menção honrosa no desafio internacional Edumission, rede de escolas inovadoras de todo o mundo criada pela empresa de impacto social israelense Education Cities. Para participar da competição, a escola produziu vídeos em que explica seu trabalho.

Além disso, foi apontada em 2015 pelo Ministério da Educação (MEC) como uma escola de referência pelo ensino inovador e criativo. Foi escolhida ainda, no ano seguinte, pela Ashoka, organização sem fins lucrativos que busca a transformação positiva da sociedade, em parceria com o Escolas Transformadoras do Brasil, do Instituto Alana, para integrar um grupo de 300 escolas consideradas transformadoras pelo mundo, sendo 18 delas do Brasil.

Aprendizagem baseada em projetos

A escola tem 70 alunos, entre 4 e 15 anos, com turmas desde o ensino infantil até o último ano do ensino fundamental. As salas, com no máximo 16 crianças ou adolescentes, são divididas entre alunos de duas séries, que estudam juntos. Eles participam ainda de oficinas de culinária, marcenaria, desenho, pintura, trabalhos com o corpo, dança, música, aromaterapia, massagem e meditação. 

Os projetos são bimestrais. A quantidade varia de acordo com a série. Na turma de Daniela, os estudantes desenvolvem um projeto de sala, a partir do interesse deles, mas que envolva conteúdos exigidos pelo MEC. O projeto pessoal é completamente livre, sobre qualquer assunto. Há também um projeto feito com turmas diferentes, que mistura faixas etárias.

Projetos baseados em objetivos e na função social

Os diferentes tipos de projetos são conduzidos a partir de escolha do tema, do objetivo, de por que se quer estudá-lo, da função social. “A gente conversa com eles de não haver o estudar por estudar, o conteúdo morto. Na escolha tem que pensar no objetivo, como elaborar, como contribuir para o meio social, para a comunidade ao redor, de que forma vai usar. Fazer questionamentos para construir as ideias”, explica a professora Daniela Razuk em entrevista para o Porvir.

Imagem de dez alunos da Escola Vila Verde apresentando um trabalho na frente da classe
Escola Vila Verde (Reprodução/Porvir)

A partir disso, os estudantes e professores organizam o tempo, as tarefas e as pesquisas a serem feitas. A cada aula, os educadores orientam os alunos sobre o que precisam fazer e como se manterem no planejamento. “A parte de busca de informações, de respostas, fica a cargo deles com a nossa tutoria. A gente não dá aula. São eles que vão buscando conhecimentos, conteúdos”, diz Daniela.

No fim do bimestre, os estudantes apresentam os produtos finais. “Pode ser uma aula para os colegas, pode ser uma construção física, pode ser uma campanha de conscientização. Tem que culminar em uma questão prática, chegar em algum lugar e ter um propósito naquilo”, explica a professora. Alguns exemplos de projetos foram uma mão hidráulica, construída com materiais simples, como seringas, uma campanha para evitar incêndios acidentais no cerrado e uma palestra sobre como prevenir a depressão e o suicídio.

 

Educação ecológica

O interesse pelo ambiente é trabalhado na escola de acordo com estudos do físico e escritor austríaco Fritjof Capra, que desenvolveu e promove a educação ecológica, como explica Fernando no vídeo para o Edumission. Acompanhados dos professores, os alunos exploram as áreas ao redor da escola, fazem passeios, visitam cachoeiras e piscinas naturais. Também conhecem a vegetação e os animais. Depois, voltam para a escola e analisam e estudam o que viram.

“A escola olha o meio ambiente da forma mais ampla possível, desde coisas clássicas, como horta pedagógica, aula de cultivo, mas também conscientização”, explica Fernando. A Vila Verde tem um termo de cooperação junto aos gestores do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) que permite que os estudantes desenvolvam atividades dentro do parque e vice-versa.

“Os estudantes estão em contato íntimo com a natureza. Não adianta levantar bandeira. Preciso primeiro conhecer para amar, depois amar para proteger. Não adianta dizer: ‘salvem o lobo guará’. Nosso olhar é para o que podemos fazer no dia a dia, agora, para salvá-lo. São ações práticas, ligadas ao meio ambiente”, explica Fernando.

Autoconhecimento e educação para a felicidade

O estímulo ao autoconhecimento é influenciado pelos ensinamentos do guru budista Lama Padma Samten, que segue a linha do budismo tibetano, “mas a escola não é budista”, afirma o diretor. O trabalho é guiado por cinco sabedorias, que falam da importância do desenvolvimento de boas relações entre as pessoas. São preceitos como empatia, oferecer, estruturar, parar ações negativas e ser livre.

“Quando os alunos chegam da escola tradicional, o mais difícil é se acostumar com a liberdade, de pensamento, de escolha, de oportunidades. Isso é complicado. Estão sempre olhando para ver se podem fazer, querem saber o que achamos”, diz Fernando. Há estudantes que não se adaptam, principalmente os mais velhos. “Estavam tão acostumados com a tutela que simplesmente não seguraram a onda, pediram para voltar para a escola tradicional.”

A educação para a felicidade é trabalhada para que os estudantes consigam pensar sobre o que gostam, o que querem e os que os deixa felizes. Para que, assim, possam fazer boas escolhas e saber lidar com as próprias emoções. Na cultura da paz, a escola procura desenvolver nos estudantes a preocupação com o outro e a pensar sobre o que pode fazer para tornar o mundo melhor.

Esse post é um resumo com alterações do Caindo no Brasil de matéria publicada pela repórter Fernanda Nogueira para o portal Porvir, com o título “Em contato com a natureza, escola Vila Verde educa para a felicidade”. Clique no link para conferir a matéria original e completa.