Imagem de uma jovem sentada, sorrindo, segurando um tablet
(Reprodução/Mathema)

O cenário de ensino no Brasil não é dos melhores. Na realidade, infelizmente, os indicadores de matemática no Brasil são bem baixos. É por isso que uma pesquisa para entender melhor esse cenário foi lançada pelo Mathema, em parceria com a Rede Conhecimento Social. Essa instituição participa de vários projetos que buscam aprimorar a formação dos professores para melhorar a educação matemática. Nesses projetos, são ensinados métodos para aprimorar a metodologia dos docentes, pensando na melhor forma de aprendizado para os alunos. Eles atuam com pesquisas e métodos pedagógico, que incluem formação continuada e capacitação dos professores.

A divulgação dos dados da pesquisa Eu ensino Matemática: a formação continuada que quero aconteceu em meio deste ano. Ela ouviu a opinião de mais de 1800 professores que ensinam a disciplina em todas as etapas escolares. O objetivo era entender quais aspectos eles consideram essenciais na sua formação e quais têm potencial para fortalecer a aprendizagem dos estudantes. A consulta aponta, por exemplo, que 32% dos docentes acreditam que a metodologia de ensino é inadequada. E isso implica diretamente no aprendizado dos alunos. Para entender melhor esse cenário, nós conversamos com a Mirela Mendes, coordenadora de Formação Continuada do Mathema. Olha só:

O estudo

A pesquisa foi feita com professores com alta escolarização na sua formação inicial. Apesar disso, o resultado do estudo se estende para todos os educadores – independente se ele teve esse acesso ou não. Afinal, esse cenário negativo acontece em todos os níveis de escolarização. “Temos um público de alta escolarização que está nos dizendo que essa formação inicial não cumpre todas as demandas, havendo a necessidade de formações continuadas. Por isso, podemos inferir que isso seja uma demanda de todos os educadores”, conta Mirela.

Muitos professores buscam a formação continuada para melhorar o processo de ensino e aprendizagem dentro da sala de aula. E um dos principais objetivos da consulta era de dar mais voz aos professores. Ou seja, entender quais suas necessidades e quais aspectos eles consideram essenciais para o processo de formação continuada.

No entanto, para que toda essa trajetória seja efetiva, é muito importante abordar processos realmente significativos nos cursos. Com a consulta, cinco aspectos foram destacados pelos professores como importantes nesse processo de formação continuada em matemática. Quatro deles o Mathema já tinha como práticas nas formações. São eles:

– O trabalho com conteúdos específicos das disciplinas, ou seja, os conceitos matemáticos;

– Estratégias e recursos para ensinar melhor matemática, como didática;

– Melhorar a comunicação entre professor e aluno, entendendo como esse aluno aprende matemática;

– A gestão da sala de aula. Ou seja, como preparar uma boa aula; como fazer o planejamento; como trabalhar em grupo; como gerir o tempo da aula, etc.

O quinto aspecto que apareceu na consulta foi algo que os professores destacaram como muito relevante para a formação continuada e para melhorar a qualidade das aulas: a troca de pares durante a formação. Por isso, há a preferência por cursos de média a longa duração. Assim, eles têm tempo de vivenciar a atividade na sua formação, levar isso para a sala de aula, colocar em prática com os alunos, levar a experiência para debate no curso e voltar para a sala de aula novamente. Afinal, cada sala de aula é única e precisa de uma adaptação e reflexão individual sobre o processo, tornando esse processo de troca muito importante.

Conexão com as individualidades dos alunos

A formação continuada é uma alternativa muito interessante de desenvolver no professor um olhar voltado para as individualidades dos alunos. Com a consulta, foram destacados três aspectos que nos ajudam nessa conexão do professor com as dificuldades e qualidades de cada um:

– A diversidade de recursos e estratégias para ensinar matemática. Afinal, sabemos que nem todo mundo aprende da mesma forma;

– O trabalho com o erro no processo de ensino e aprendizagem de matemática. Ou seja, como tratar o erro como um instrumento de aprendizagem;

– Promover uma matemática significativa, que contextualiza a matéria com a realidade do estudante. Promovendo, assim, trabalhos pautados na resolução de problema, onde o professor seja realmente um mediador do conhecimento.

Unindo a prática e a teoria: homologia de processos

Juntar a prática e a teoria é uma questão muito importante. No entanto, ter uma base conceitual, mas também conseguir fazer uma boa mediação dentro da sala de aula, ainda é um desafio. E a formação continuada tem como objetivo desenvolver ainda mais esses dois aspectos.

Saber ensinar mas também conhecer o conteúdo específico é um assunto que apareceu bastante na consulta. Por isso, a Mirela contou que a melhor forma de fazer essa ponte da prática com a teoria é o que eles chama de homologia de processos. Ou seja, na sua formação, o professor vivencia as práticas feitas com os alunos e realiza reflexões dessas práticas seguindo os princípios da teoria. E na parte da teoria, ele é convidado a realizar ações na sala de aula. Depois de experimentar, ele reflete novamente sobre o que funcionou ou não. Afinal, o professor é um mediador e não ensina para quem não sabe, e sim para um aluno que é sujeito na formação.

Outro aspecto desse professor como mediador e essa questão da união entre prática e teoria é a perspectiva metodológica da resolução de problemas, muito presente nas formações do Mathema. É a problematização constante que incentiva o professor a refletir, pensar, questionar e conhecer diversas ferramentas de ensino. “Por isso, juntando a homologia de processos e essa perspectiva metodológica da resolução de problemas, acreditamos que conseguimos fazer uma união muito legal entre a prática e a teoria”, conta Mirela. A autoria é do professor, que conhece o aluno e a sala de aula. Então, falar um monte de teoria não ajuda, mas a prática esvaziada também não. A união das dois dois aspectos é um processo muito importante. Porque além dessa troca, o professor também tem que ter essa autonomia pra se sentir confortável em criar um ambiente que instigue o aluno dentro da resolução de problemas.

Mathema Online

A consulta também mostrou que 6 entre 10 professores preferem estudar à distância, seja pelo tempo, deslocamento ou disposição. Por isso, em agosto, após três mess do lançamento da consulta, foi lançado o Mathema Online, primeira plataforma de formação continuada em ensino de Matemática do Brasil. Essa ação busca alcançar os professores da educação básica para que eles possam ter uma formação de qualidade a qualquer hora e em qualquer lugar. E, além disso, sem deixar de atender os critérios da instituição: promover os conteúdos específicos da disciplina, a didática, a gestão da sala de aula, entre outros aspectos, tudo de acordo com a BNCC.

A plataforma busca seguir a mesma linha dos outros cursos, abrindo espaço para trocas e diálogos. Os cursos são individuais, mas contam com um ambiente para que os alunos possam trocar experiências. Então, mesmo online, é possível manter os aspectos contemplados na metodologias dos cursos já existentes. Ou seja, a criação constante de problematização e o incentivo do professor a refletir, persistir e questionar.

O conteúdo é destinado a professores da Educação Básica. Ele está organizado em cursos autoinstrucionais de 10h. Cada um deles faz parte de uma trilha de formação, que reúne quatro cursos. Tanto as aulas quanto as avaliações são 100% online e os cursistas aprovados receberão um certificado ao término de cada curso.  Para conhecer os cursos disponíveis no Mathema Online, acesse o site do Mathema Online. Periodicamente, novos conteúdos estarão disponíveis.