Imagem com detalhes em roxo claro com o título em letras garrafais "Atitudes que valorizam a troca de emoções em sala de aula", com 5 sugestões sobre o tema

As dificuldades em manter a atenção e a concentração dos alunos são uma constante no cotidiano do professor. Ainda mais quando não há uma troca de emoções em sala de aula entre estudante e docente. Estudos da área de neurociência cognitiva e comportamental demonstram que a comunicação durante uma aula vai muito além da habitual transmissão de conteúdos específicos.

De acordo com o especialista em neurociência do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE), João Rilton, a postura corporal, a entonação e o ritmo da voz, os gestos físicos, e os conteúdos expressos nas frases verbais são interpretados e julgados de forma padronizada pelo cérebro do aluno e do professor. “Conhecer como esses padrões se manifestam pelo corpo e na fala é essencial para que possamos traçar estratégias que facilitem a nossa comunicação com o outro, evitando assim conflitos, mal-entendidos, constrangimentos e desânimo na sala de aula”, explica.

Confira cinco atitudes que contribuem para a troca de emoções em sala de aula:

Observar sem julgar

Observar como os alunos se comportam – por meio dos gestos, timbre da voz, temperamento e forma de andar – sem julgá-los é importante, em um primeiro momento, para que se desenvolva as habilidades físicas de observação: olhos, ouvidos e empatia. “Não é tão simples detectar sinais de comportamento, é necessário ter um treinamento prático em observar os fenômenos físico-comportamentais. O bom é saber que eles estão acontecendo o tempo todo e por isso temos chance de treinar”, explica Rilton.

Praticar a auto-observação

Perceber suas próprias emoções é fundamental para saber como são suas respostas emocionais. Um exemplo disso é observar como o seu corpo reage à indisciplina ou à desmotivação. “A importância em observar essas respostas é a de poder manipulá-las de forma a adequá-las ao que é desejado. Por exemplo: às vezes nos sentimos sem recursos para dominar a indisciplina na sala de aula. O termo ‘sem recurso’ significa que a resposta emocional daquele profissional perante àquela situação não se adequa ao que ele espera. Se ele prestar atenção e observar os fenômenos físicos que acontecem nos momentos de indisciplina na sala, terá a chance de, através da consciência, ir mudando esse comportamento. É como dizer todos os dias para o cérebro: anule essa resposta emocional”, analisa.

Procurar espelhar o nível energético do aluno

É necessário desenvolver a capacidade de perceber o ritmo biológico e energético do aluno e atuar na mesma velocidade dele. “Com alunos eufóricos, deve-se falar rápido e com gesticulação. Já com alunos melancólicos, devagar e com pouco movimento nas mãos”, exemplifica.

Ler sobre Psicologia

É essencial ter conhecimento sobre a Psicologia, principalmente, nas áreas de Psicologia Comportamental e Psicologia Cognitiva.  Porém, isso deve ser feito após conhecer basicamente o pensamento dos principais autores. Ou seja, uma introdução aos pensadores da educação.

Ler sobre Neurociência

É importante ter o conhecimento de que ao receber um estímulo, o cérebro responde na forma de reações químicas. Essas reações consistem na liberação de substâncias no cérebro que irão gerar algumas ações físico-comportamentais específicas. “Quando há o sentimento de raiva do aluno, seu cérebro está associando a imagem do aluno a outras imagens de quando você sentiu raiva e viu pessoas com raiva. E isso gera um disparo químico que fará com que seu coração dispare, suas pupilas dilatem e a boca seque. Saber quais são essas substâncias é estar atento às reações emocionais que acontecem em sala de aula”, finaliza o especialista.