Já é madrugada aqui e me preparo para dormir após um dia longo, exaustivo, cheio de altos e baixos. A manhã começou bem alegre com uma aula sobre Game Design Play. Nela, tivemos a oportunidade de aprender um pouco sobre estratégias para entretenimento de grupos de pessoas. Também aprendemos sobre stotytelling para a criação de jogos com um professor de Design que tem uma empresa de jogos e festivais.

Ele explicou um pouco sobre o processo de desenvolvimento da lógica dos jogos e explicitou a importância da audiência. Debatemos um pouco sobre fracassos, obsessões e vitórias, além de compartilhar informações bastante interessantes. Você sabia que muitos dos jogos mais divertidos e populares no mundo não são justos com todos os jogadores? Neste caso tudo bem pois faz parte da diversão? E que a maioria das pessoas perde o interesse em um jogo após vencer?

Trabalhando nos meus protótipos

Saí da aula direto para uma loja de ferramentas para comprar alguns materiais que precisava. Cada chave de liga desliga custou 4 dólares e eu senti saudades do mercado do Saara do Rio de Janeiro. De bolso vazio e sacolas na mão passei, o resto do dia trabalhando em protótipos que não só não funcionaram, como destruíram as pilhas.

Educação Maker: acendendo as leds com as mãos

Já tomada pela frustração, fui pedir ajuda para algumas pessoas. Um sujeito ficou preocupado com minha falta de conhecimento em umas coisas de eletrônica e disse que minha idéia era horrível e que eu deveria ter umas aulas antes de resolver mexer com coisas que não conhecia. Eu dei um sorriso amarelo, e sai de fininho. Compreendi  que ele estava preocupado com meu bem estar físico (e o dos outros alunos também), mas aquela atitude me lembrou a daquele pessoal old school que acha que tecnologia é só para nerds e ratos de laboratório e vem pintar os muros  da gente de cinza sabe?

Depois dessas palavras de desencorajamento, fiquei me questionando se não estava louca. Se meu protótipos não eram um delírio galopante da minha cabeça. Será que não é um micão? O dia seguiu com vários protótipos fracassados e um péssimo humor da minha parte.

Faltando 30 minutos para o laboratório fechar, decidi largar os eletrônicos e finalizar o protótipo de VR. Liguei um som de Alceu Valença pra ganhar uma coragem e melhorar a minha cara de azeda e me dei mais uma chance. Afinal, algo precisava dar certo neste dia do inferno. Fiquei enrolando para finalizar as coisas pois do jeito que o dia havia seguido, mais um fracasso e eu ia desabar ali mesmo, na frente de todo mundo. Terminei a montagem ainda desacreditada e fui testar o bicho…

Educação maker é aprender a partir da prática

Abri os olhos e constatei que a engenhoca estava funcionando. Que momento meu Deus, QUE M-O-M-E-N-T-O! Rodopiei e mandei uma banana imaginária para as descrenças do sujeito de antes. E decidi melhor, esse cara acabou de entrar pra minha lista de pessoas que receberão, EM MÃOS, meus protótipo prontinhos. Me aguarde com a farinha gringo, estou chegando com a FAROFA!

Brasileira que está participando do programa de verão da Universidade de Nova York. Ele é realizado dentro do laboratório do ITP, o Programa de Telecomunicação Interativa. O resultado final dessa jornada será a criação do “Livro das ferramentas”, uma coletânea de ferramentas makers que poderão ser montadas de maneira simples e de baixo custo. Confira todos os relatos aqui.