Dinâmicas de grupo: Segredos do Líder Anfitrião

Escrito pela Palestrante, Professora e Pesquisadora Marô Camargo. 

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Qual o Tipo de LÍDER que VOCÊ quer SER ? Conheça dinâmicas de grupo que mudem sua forma de se relacionar com o mundo.

Tempos de crise, mundo complexo, problemas cada vez mais desafiadores, é hora de rever nossos conceitos sobre o tipo de líder que queremos ser. Seja você uma Mãe, um Pai, um Professor, Coordenador de curso, Gestor de equipes, atuando em escolas, organizações, terceiro setor. Não importa, todos nós em algum momento da vida assumimos a posição de líder, portanto vale a pena parar para pensar sobre o assunto.

Aqui vamos falar sobre as qualidades de um Líder Anfitrião no processo de promover encontros e conversas significativas, ou seja, Conversas que geram Ação.

Durante a minha pesquisa tive a oportunidade de conversar com 12 líderes que saíram da posição de Herói, daquele que tudo sabe, manda e faz para a posição de Anfitrião, aquele que acolhe, ouve, orienta e cria as condições e dinâmicas de grupo para que o trabalho seja realizado de uma forma mais envolvente, mais orgânica.

Ser um anfitrião é acreditar no poder do diálogo, na inteligência do grupo, criar um ambiente acolhedor para que cada um se sinta em casa e possa dar o melhor de si.

Foram conversas marcantes, com uma riqueza de aprendizados incrível! Tem muita história para contar, escrevi mais de 200 páginas sobre esta experiência na minha tese, mas gostaria de resumir aqui tudo isso em 12 pequenos passos, 12 qualidades simples para nos ajudar a entender esse modo de ser anfitrião.

1. A qualidade da presença  – Mindfulness

Mindfulness Você já ouviu esta palavra? 

A primeira vez que eu ouvi foi na minha primeira entrevista, conversando com um professor da universidade, aqui entre nós pode ser traduzida por um estado de ATENÇÃO PLENA, aquela qualidade de ESTAR PRESENTE enquanto fazemos alguma atividade. Você já experimentou se concentrar no que está fazendo AGORA, NESTE MOMENTO, exatamente AQUI.

Embora pareça muito difícil com as milhares de distrações do dia a dia, ainda mais na Internet, esse é um estado que tenho cultivado e que me traz um bem-estar enorme. E olha que com três filhos pequenos, que exigem minha total atenção e presença, isso acaba se tornando uma Necessidade! Outro dia fiz um exercício: enquanto estava fazendo o jantar, concentrei-me no que estava fazendo e, percebi a beterraba que estava ralando. Você já reparou na beleza de uma beterraba? As cores, as linhas, o cheiro, parece incrível, mas desta forma a atividade acaba cansando menos e o jantar acaba saindo mais rápido. Experimente!

Estar presente numa conversa, numa reunião é concentrar-se no Aqui e Agora, nas pessoas que estão na sala, no que está sendo dito, nas emoções que percorrem o meu corpo, no ambiente onde estou. Só assim posso agir com o máximo da minha atenção, o máximo da minha inteligência para chegar em soluções criativas para os desafios.

2. Anfitriar a si mesmo – Host yourself – Enjoy your breakfast!

Você já tomou o seu Café da manhã hoje?
Separou um tempo para desfrutar a primeira refeição do dia ou simplesmente saiu correndo, atrasado para as atividades?

Nuno Cobra, preparador físico, fala que se você não tiver 15 minutos para tomar um bom café da manhã, então a situação está difícil mesmo.

Como posso ser um bom ANFITRIÃO se não fizer a lição de casa comigo mesmo? Se não cuidar do meu corpo, da minha saúde, do meu bem-estar, em que estado eu vou chegar para conversar com os outros, para facilitar o trabalho de um grupo? Parece um clichê, mas é a mais pura verdade, as grandes mudanças começam dentro da gente, o caminho é sempre interno e externo. E o desafio é diário e permanente!

3. Diálogo: Encontrar o território que nos une

O que temos em comum ? O que que nos une ?

Estamos acostumados a pensar no que nos diferencia, nossos cargos, nossos títulos, nossas
posições….

Mas e se pensarmos no que nos une, o que há de mais humano em nós, então chegaremos num Território de encontro, um propósito comum para a conversa, definir esse propósito é fundamental para uma conversa significativa.

O papel do anfitrião consiste em conseguir acessar esse lugar de encontro, onde podemos compartilhar nossas ideias, saberes e o que temos em comum.

4. Fazer boas perguntas

Muito mais importante do que as respostas, as perguntas certas, intencionais e estratégicas trazem foco para a conversa, geram reflexão e orientam o pensamento criativo do grupo.

Valorizar a pergunta a partir de um olhar apreciativo para as possibilidades, perguntas abertas que explorem a situação.

Perguntas que integrem sentimento e razão são boas para provocar uma reflexão mais profunda, saindo do senso comum ou das respostas automáticas.

5. Ter curiosidade pelo outro

Assim como a qualidade acima mencionada, a curiosidade pelo outro é um fator essencial ao diálogo, preciso estar disposta a ouvir, a enxergar a situação pelas lentes do outro, a me colocar no seu lugar, para então compreender melhor seu ponto de vista.

Só assim podemos explorar soluções conjuntas, acreditando que podemos contribuir com as pessoas para que elas encontrem juntas a solução que precisam.

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6. Ser um Mestre-aprendiz

Na sequência, precisamos entender que não sabemos tudo, precisamos cultivar o não saber e a disposição para aprender com o grupo e com o ambiente.

Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, por isso aprendemos sempre (Paulo Freire)

Lembrando das palavras de Paulo Freire o que nos torna humanos é a nossa capacidade de aprender sempre, estar sempre aberto a novas experiências, novos aprendizados.

7. Ter Esperança na mudança de cultura

Ainda com Paulo Freire, Esperança aqui não vem do verbo esperar, mas sim do verbo ESPERANÇAR, acreditar que as coisas podem ser
diferentes e nós fazemos parte desta mudança. 

Sempre há a possibilidade de mudança, principalmente quando estamos diante de um conflito, a crise pode ser uma oportunidade, os desafios podem ser as pontes que precisamos para chegar num outro jeito de fazer as coisas, mais integrado, mais acolhedor, mais HUMANO.

8. A prática

Todos os anfitriões com quem conversei se consideram praticantes, por mais experientes que sejam, o conceito de prática é algo que vivenciamos no exercício das Artes Marciais, Yoga, Meditação, em que vamos nos tornando melhor a medida que praticamos, e que sempre tenho algo a aprender, a melhorar.

A prática é também a união do que se fala (discurso) com o que se faz (ação), praticar o que se diz, ser um exemplo, vivenciar o diálogo é fundamental.

9. Estar a serviço de

Muito se tem falado do líder servidor, daquele que está a serviço de um propósito maior, de um grupo, de uma causa.

Por isso a figura do herói que faz tudo, resolve tudo sozinho, já não cabe mais neste contexto.

É preciso promover um processo participativo em busca dos interesses comuns.

10. Diálogo: a capacidade de Escutar todas as vozes

Trazer todas as pessoas que precisam estar na conversa é essencial no processo de diálogo, buscar as diversas perspectivas, visões de mundo, saberes complementares que vão contribuir na busca por soluções criativas.

Quanto maior a diversidade do grupo, maior a riqueza da conversa, o importante é criar o ambiente seguro e acolhedor para que todos possam se expressar.

11. Operar de um outro jeito – um novo sistema operacional

Um sistema operacional de um computador é a base do funcionamento do equipamento, ou seja o suporte que permite os programas funcionarem, Linux, Windows, Android são sistemas operacionais.

Na linguagem dos “anfitriões”, a Arte de Anfitriar Conversas Significativas (Art of Hosting) é um sistema operacional, ou seja, um jeito de fazer as coisas, um jeito de trabalhar, um modo de operar.

Para viver isso é preciso estar disposto a desafiar os modelos mentais que nos dizem que a conversa é uma perda de tempo, que conversa não serve para nada, AQUI a conversa está no centro, é o modo pelo qual as coisas são feitas em nossa vida e em nosso trabalho. Vivenciar isso no dia a dia de trabalho é como operar em um outro sistema.

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12. Um Modo de Ser – uma jornada pessoal

Finalmente uma qualidade MUITO IMPORTANTE de uma liderança anfitriã é encarar isso como um jeito de ser, ou seja, Vivendo, Praticando, SENDO desta maneira de forma “natural”, por isso a jornada pessoalde cada um neste processo faz toda a diferença, e isso envolve todas as qualidades acima descritas, a crença na inteligência do grupo, a curiosidade permanente e a disposição para o diálogo, comigo mesmo, com o outro e com o mundo!

E VOCÊ, já experimentou alguma das qualidades do SER ANFITRIÃO?

Conte como foi sua experiência. Deixe aqui seu Comentário.

Um abraço

e até a nossa próxima conversa!

 

Beatriz CarvalhoComment