Comunidades como motor da aprendizagem transformadora

O Transbordas teve como primeiros destinos iniciativas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, como a Cidade Escola Ayni (Guaporé - RS), a escola Caminho do Meio (Viamão - RS) e a Ecovila São José (Florianópolis - SC)

O Transbordas teve como primeiros destinos iniciativas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, como a Cidade Escola Ayni (Guaporé - RS), a escola Caminho do Meio (Viamão - RS) e a Ecovila São José (Florianópolis - SC)

Por Amanda Malucelli

Meu nome é Amanda, e, antes de mais nada, quero contar o início da minha história. Fui neta da vó Lala, uma professora de primário que, com sua presença amorosa, me alfabetizou "sem querer" em nossas brincadeiras e conversas. Ela me ensinou a amar aprender, como em qualquer brincadeira livre, criativa e espontânea. Desde então, associei o fato de aprender, de sentir o "Self" expandir e de me desenvolver com um imenso prazer!

Depois, em minha trajetória, me formei publicitária e facilitadora. Comecei a explorar metodologias participativas e colaborativas de aprendizagem em programas que coordenei no terceiro setor para formação de jovens lideranças, sustentabilidade e empreendedorismo social. Então, me entendi e me assumi como educadora social e não formal, mesmo sem títulos acadêmicos ou rótulos bem definidos. Hoje, costumo dizer que o diálogo com o mundo têm feito de mim aprendiz-educadora em livre formação e uma anfitriã de espaços férteis para a aprendizagem transformadora acontecer, o que chamei de "Anfitriã de Aprendizagens Transformadoras".

Nos últimos anos, foram inúmeras experiências onde pude presenciar o desabrochar de pessoas "se encontrando” Pessoas compartilhando que se sentiam livres para serem quem elas realmente eram, em espaços de confiança, abertura, afetividade e autonomia. Gente essa que se perguntava: "por que não é assim na escola/na empresa/lá fora?".

Pois é, por que? "O que acontece 'aqui' que é diferente de 'lá'? "Que magia é essa que acontece quando estamos 'juntos', quando nos sentimos uma 'unidade'? Como uma aprendiz por excelência, em vez de respostas, fui guiada por mais perguntas, que se tornaram cada vez maiores, mais instigadoras, com cada vez mais força de me tirar da cadeira e convidar para uma aventura… E então comecei a me perguntar:

"QUANDO FOI QUE SEPARAMOS A EDUCAÇÃO DA VIDA? QUANDO FOI QUE A VIDA DEIXOU DE REPRESENTAR VIVER EM COMUNIDADE? E QUANDO FOI QUE NOSSAS COMUNIDADES HUMANAS SE VIRAM SEPARADAS DA TERRA?”

Estes questionamentos representam o que mais tarde chamei de "três esferas da aprendizagem transformadora”:

  • a do indivíduo em sua concepção integral

  • a das relações em comunidade

  • a da relação com o planeta (uma interdependente da outra, nenhuma anterior ou posterior)

 

Na prática

E, enfim, a pergunta que abriu uma fresta e me tirou da cadeira… QUAL A RELAÇÃO ENTRE “COMUNIDADE” E “APRENDIZAGEM TRANSFORMADORA”?

Foi então que embarquei numa jornada de seis meses pelo Brasil, que chamei de Transbordas, ainda dando os os primeiros passos. Embarquei para o Rio Grande do Sul no dia dia 21 de setembro. Como uma outra forma de “cair no Brasil”, o projeto busca mapear e sistematizar experiências de Comunidades de Aprendizagem Transformadora, com o propósito de reconectar a educação com a vida, a vida com o “viver junto” em comunidade e fortalecer os propósitos de comunidades integradas à Terra.

Eu não busco o melhor método, mas sim a essência que existia antes que ganhasse o nome de “educação”, aquilo que TRANSBORDA e TRANSCENDE os próprios métodos. Afinal, o que é a educação se não a tradução do processo orgânico de desenvolvimento, da transcendência e da expansão da vida?

Na minha jornada, além da integração na rotina das comunidades, coloco à disposição o meu “baú” de ferramentas e metodologias, como a Arte de Anfitriar Conversas Significativas, a Comunicação Não Violenta, o Dragon Dreaming e o currículo Gaia Education, e ainda tenho como inspiração a Educação Popular de Paulo Freire, os Quatro Pilares da Educação (UNESCO), os Sete Saberes Fundamentais à Educação do Futuro (Edgar Morin), e tantas outras para usar somente SE e QUANDO forem úteis e desejadas.

Por fim, ofereço às comunidades que visito uma "Roda de Aprendizagem Transformadora", onde há a sistematização das experiências que merecem ser compartilhadas. Acredito que a principal contribuição será polinizar soluções. Ao disseminar essas práticas, pretendo inspirar outras comunidades de aprendizagem pelo país, sejam elas escolas ou iniciativas formais ou informais na educação.

A viagem está sendo viabilizada por meio de um financiamento coletivo recorrente, na plataforma benfeitoria. As pessoas contribuem mensalmente e, conforme as metas vão sendo alcançadas, ofereço as recompensas coletivas como a divulgação do diário de bordo, encontros online com a rede de apoiadores, mentorias online e produção de um minidocumentário e material para publicação posterior.  

Desde então, perguntas maiores têm se apresentado… revelando questões que - talvez - me guiem para um caminho bem longo e tragam ainda mais perguntas:

COMO NOS TRANSFORMAMOS JUNTOS? PARA QUÊ AFINAL ESTARÍAMOS AQUI NESSE PLANETA? O QUE TEMOS PARA APRENDER COM ELE NESSE CAPÍTULO DA HISTÓRIA?

 

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