COMO FALAR DE POLÍTICA DE FORMA LÚDICA E CRIATIVA

Nesta quinta-feira (29) o Pé na Escola organiza uma imersão em “Jogos e Educação Política Criativa”, com Érica Teruel Guerra, jornalista com experiência em educomunicação e juventude, Júlia Carvalho e Bárbara Côrtes, desenvolvedoras de jogos do Fast Food da Política. O encontro, que é gratuito e pretende reunir educadores, estudantes e interessados em educação, acontece a partir das 19h30 na Base Colaborativa, no bairro dos Jardins em São Paulo.

Desafios para engajar

“Nosso objetivo com as imersões é promover encontros periódicos em que a gente possa aprender com educadores, pessoas interessadas e nossos parceiros, mantendo esse vínculo de troca e aprendizagem”, conta Renata Ferraz, do Pé na Escola. A decisão de começar falando do uso de jogos na educação tem muito a ver com a prática do grupo, que desenvolve metodologias de política criativa e as aplica em escolas desde 2013: “nesse processo o game foi aparecendo como uma ferramenta importante por proporcionar desafios que geram engajamento nos alunos, além de ter uma certa abertura e ao mesmo tempo uma certa estrutura”.

Política: melhor não discutir?

Falar dos jogos também se mostra importante com a proximidade das eleições municipais e com o cenário de falta de diálogo que toma a política nacional. Por que? A Júlia Carvalho, do Fast Food da Política, explica: “a gente acredita que o papel dos jogos é descontrair e desarmar, trazendo um aprendizado mais leve, lúdico e coletivo. Acreditamos que independentemente dos posicionamentos políticos, o próprio sistema político precisa ser investigado e revisto”.

Eles também podem ser uma ferramenta poderosa para simplificar assuntos que, muitas vezes, deixam de ser ensinados ou conversados por falta de informação. “Jogar pra aprender as estruturas torna o processo mais potente, e possibilita aprofundar de forma simples, assuntos complexos. A galera sai com mais confiança, aberta para falar sobre política e percebendo que dá pra aprender de forma prazerosa”, completa Júlia sobre os jogos do Fast Food.

Professor como mediador

Jogar em sala de aula também é uma forma eficiente de estimular a autonomia dos estudantes e tornar o aprendizado mais significativo. “O professor fica numa posição mais de mediador, as próprias regras funcionam como mediadoras do debate entre os alunos. O jogo é um momento que os participantes são ativos, na brincadeira, no aprendizado, então o papel do professor é mais de coadjuvante mesmo e isso não é uma coisa ruim, na verdade pode ser uma coisa muito boa”, diz Renata. O processo de criação de jogos e regras pode ser muito rico para promover a troca de experiências entre professores e alunos, que costumam ter visões e vivências diferentes sobre os games.

“A dica que a gente dá para os educadores e estudantes que queiram incorporar essas ferramentas é não ter medo da novidade e dos imprevistos. Quando você dá mais protagonismo para os estudantes é natural que aconteça algo inesperado”, conta Renata. “Nessas horas o melhor é buscar as oportunidades pedagógicas de trabalhar algum conteúdo. Por exemplo, quando a gente joga Criando um País aparecem países totalmente inesperados, os alunos trazem muitas coisas que podem ajudar a gente a falar de temas como democracia, direitos humanos, igualdade racial, só que a gente usa isso a partir da linguagem deles, que eles revelam nos jogos.”

Saiba mais sobre a imersão aqui.

Visite o site e leia mais sobre o Pé na Escola aqui.

por Sabrina Coutinho

Foto: FastFood da Política