Eu me lembro do Ensino Médio como se fosse ontem.

Se eu pudesse resumir tudo o que vivi naqueles três anos em uma frase, seria algo entre ‘‘você sabe que isso não vai acontecer, né?’’ e ‘‘pena que as coisas não são assim’’. Eles me ensinaram que o mundo era preto no branco. E para algumas pessoas, eu entendo, deve ser complicado imaginar o quão difícil pode ser para o outro escutar durante sua adolescência inteira que o mundo é preto e branco quando você só enxerga em cores.

Aquele era o único mundo que eles eram capazes de enxergar. E se tornava cada vez mais difícil compreender o que eu gostaria de oferecer para o mundo. Enquanto isso, eles me faziam acreditar que tudo que aquele mundo tinha para me oferecer estava listado, empacotado e enquadrado. Eu sabia que não podia ser só aquilo. Porque, mesmo quando eu me conformava com a ideia de que eles poderiam estar certos, as cores continuavam lá.

Casa do Presente
Workshop de Colaboração e Compartilhamento. Foto: EFFE4 Fotografia

Uma escola que faz sentido para todos

Quando conheci a Casa do Presente, eu ajudei a co-criar a escola que fazia sentido para mim e para outras pessoas que, como eu, também enxergavam o mundo em cores. Hoje a Casa do Presente é inspiração — de fora para dentro, e de dentro para fora. Inspiramos um novo jeito de fazer educação que ultrapassa barreiras invisíveis. Essa nova forma desafia a quantidade absurda de coisas que nos fazem acreditar que são impossíveis.

Nada de cadeiras enfileiradas, quadros negros e uma única voz detentora do conhecimento. Em círculos de livre expressão, alunos se tornam professores e professores se tornam alunos. Jovens e adultos de diversas idades, classes, origens e culturas, trocam entre si olhares, ideias e sentimentos genuínos, aprendendo a enxergar o outro com respeito e reconhecimento humano. É um aprendizado de alternativas, caminhos e movimento. A escola que cada um leva consigo, e que sem portas, janelas, paredes ou chão, vai tão longe quanto a gente for.

Mão na massa

Eu digo sempre que, se eu me esforçasse para verbalizar tudo o que vivenciamos cometeria o erro de diminuir toda a experiência na tentativa de alcançar um tipo de beleza que só pode ser sentida. Aprendemos juntos em menos de um ano o que o atual Ensino Médio jamais nos ensinaria. E isso vai além dos projetos ou dos workshops sobre alimentação, interculturalidade, colaboração e compartilhamento, trabalho com propósito, inteligência emocional, fotografia e outros.

Aprendemos também sobre nós mesmos, como seres de pluralidade e luz. Aprendemos que é possível chegar a lugares inacreditáveis seguindo nossa natureza e fazendo aquilo que executamos com verdade e propósito. Aprendemos que o coração sabe mais: o mundo é muito mais do que parece, e não estamos sozinhos.

Casa do Presente
Hackathon de Educação da Casa do Presente. Foto: EFFE4 Fotografia

Vejo nossa escola como a expressão do que nós, professores e alunos, somos capazes de fazer pela educação hoje. Acreditamos que não há outra forma de comunicar e educar senão por meio da conexão com o outro, e para que possamos nos conectar, precisamos estar presentes. Nosso real propósito não é nos tornarmos uma representação do que a educação pode ser no futuro. É nos tornarmos o exemplo de uma educação feita para o presente.

A Casa do Presente tem a ensinar para a escola tradicional o mesmo que tem a ensinar para o mundo: a educação é sobre ser, e somos amor. Você pode ler outros artigos sobre as nossas experiências no meu blog pessoal — tailacerda.blogspot.com — por meio da tag da escola. Acompanhe nossos projetos ou entre em contato com a gente!