Skype para aprender Inglês numa escola rural de Goiás

Cléssio também já contou um pouco sobre a história dele e do seu incrível projeto de leitura Alimente Heróis Com Livros para o Caindo no Brasil

Cléssio também já contou um pouco sobre a história dele e do seu incrível projeto de leitura Alimente Heróis Com Livros para o Caindo no Brasil

"O Looking4Heroes sou eu na rede pública de ensino. Um professor que quer conquistar, inovar, mas que tem muitas limitações de tempo e recursos. Um professor que está buscando aprender", afirma Cléssio Bastos quando fala sobre o portal em que ele escreve sua trajetória e seus desafios dentro da sala de aula. Tivemos uma conversa com esse professor, que contou como é a realidade de um educador que dá aulas de Português e Inglês no ensino público para turmas do 4o e 5o ano no interior de Goiás, e mostra como ele faz a diferença dentro do ensino tradicional.

Fazer uma ponte entre projetos e a realidade não é fácil. Uma iniciativa pode enfrentar muitas burocracias, falta de incentivo e outras barreiras. Mas, assim como fez Cléssio, esses projetos estão ganhando cada vez mais destaque e conhecimento. "O site do Looking4Heroes se tornou meu portfólio. Nós, educadores, não temos registro do que a gente faz. Há dois anos minha sala de aula está em um endereço eletrônico que é facilmente encontrado por qualquer pessoa", conta o professor. "Até porque é mais fácil falar sobre o projeto porque o site está ali e isso dá credibilidade e estrutura. É um portfólio, um registro do que a gente faz”.

Conexão entre ideias e currículo escolar

Como ele consegue aliar seus projetos que pensam a educação de uma maneira diferente ao currículo tradicional das escolas? A resposta é simples: "eu nunca priorizo o currículo", brinca Cléssio. "Surge um assunto, uma situação, e aí eu penso: discutir isso é importante para o meu aluno? É. Então, dentro disso, o que pode ser aproveitado do currículo dele? Porque o currículo, por ser quadrado e estar mais lento do que os meus alunos e do que a vida, só entra se der", ele explica. "Então, o importante não é trabalhar o conteúdo que eles precisam ver, e sim as habilidades que eles precisam desenvolver. Eu posso trabalhar com a autonomia da leitura discutindo a questão dos refugiados, sabe? Que é um assunto super atual", conta o professor". Eu pego isso, vejo o currículo, e vejo como eu posso relacionar".

Um exemplo dessa relação é a conexão que ele criou a partir de uma viagem que fez para Angola, África. Aproveitando essa oportunidade, propôs que os alunos estudassem sobre a cultura africana, discutissem a questão da negritude, da estética, da história, da língua, e ainda tivessem uma participação direta na realidade dessas pessoas, ao enviarem Kits escolares e cartas para os alunos dessa escola.

Com essa e outras viagens e oportunidades que o Looking4Heroes proporcionou, o reflexo da atuação de Cléssio dentro da sala de aula é muito rico. "Quando eu vou para algum lugar, esse lugar passa a existir pro meu aluno", afirma. "Uruguai, Peru e todos os outros lugares que eu já fui dentro do projeto são lugares que agora existem para eles".

Os alunos de Cléssio: uma barreira social e cultural

Realmente não é fácil ser professor do Fundamental II no ensino público de uma escola no interior de Goiás, e a realidade dele e dos seus alunos não é o cenário que a maioria dos meios mostram. "Ninguém conhece o meu aluno, por causa dos preconceitos. Eu falo que nós vivemos no limbo. Não somos urbanos, mas também não somos daquela fazendinha clássica", conta. Eles têm tablets, celular, acesso à internet, nem que eles precisem usar a internet do vizinho. Só que eles também não tem tanto acesso à Goiânia, que é uma capital relativamente perto e que tem praticamente tudo. Mas não é a questão geográfica que nos separa da cidade, é uma barreira cultural e social.

E é a partir desse cenário que surge uma das maiores dificuldades de Cléssio: ensinar inglês para seus alunos. Apesar do contato com os jogos, que estão sempre presentes na vida deles, a relação com a língua inglesa ainda não é suficiente para despertar efetivamente o interesse entre os estudantes. Muitos deles até tem parentes ou conhecidos que moram fora do país, porque a cidade ao lado, Nerópolis, é um dos lugares que "mais exporta pessoas", segundo ele. Mas, mesmo assim, aprender essa língua parece ser um objetivo distante.

Para superar esses desafios, Cléssio utiliza recursos tecnológicos (como o Google Tradutor e o Skype) e estratégias como a criação de portfólios pessoais. Segundo ele, esse novo material ajudou muito a diminuir algumas barreiras da sala de aula, porque quando o aluno cria o seu próprio material de pesquisa, ele sente uma intimidade maior com ele. "Eu senti que isso ajudou a diminuir a indisciplina e a falta de interesse, porque o livro didático é muito externo, ele é um corpo estranho, e o portfólio não, porque é o aluno que faz, ele que pinta da cor que ele quer, se ele não quiser ele também não pinta, as letras estão escritas com a letra dele", afirma o professor.

Skype para conectar o estudante com o mundo

O professor utiliza o Skype como ferramenta de aprendizagem, e traz convidados e conteúdos do mundo inteiro para colaborarem. Segundo ele, a plataforma completa o ciclo de aprendizagem. E com esses vídeos, frases e participações das outras pessoas, há uma interação maior dos alunos. “Com isso eu tenho abertura para ensinar outras coisas, como outros tempos verbais, então de acordo com isso eu altero a programação. Vai de acordo com o ritmo deles", explica.

Esse intercâmbio cultural é uma questão muito forte para esses alunos, e Cléssio tem como objetivo estabelecer essa tríade entre a realidade dessas crianças, o multiculturalismo e o ensino da língua inglesa.

Faça download de um template para colocar a mão-na-massa

Clique na imagem abaixo para fazer download de uma ferramenta que apoia você a também criar esse tipo de projeto, inspirado na experiência de Cléssio: