Imagem das mãos de uma criança escrevendo enquanto segura um celular
(Pixabay)

O que os termos moleque, cafuné, ginga, marimbondo, fubá e canjica têm em comum? Essas palavras e tantas outras do repertório linguístico dos brasileiros têm origem no kimbundu. A lígua falada em Angola, ganhou um parceiro brasileiro: o aplicativo gratuito Alfabantu propõe ensinar a língua angolana para as crianças.

Aproximá-las da história e da identidade dos falantes da língua pode ser um caminho para valorizar a contribuição do Kimbundu para a cultura afro-brasileira. Em entrevista para o Centro de Referências em Educação Integral, a professora e socióloga Odara Dèlé, idealizadora do app ao lado do historiador Edson Pereira explicou: “Como professores da rede, percebemos que havia ainda muito dificuldade sobre como praticar a Lei 10.639/03 nas escolas [que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana]. Quase sempre a abordagem que se fazia era por meio da questão religiosa. Mas não ia muito além disso”.

A ideia não era fazer um aplicativo que proporcionasse a aprendizagem por meio da brincadeira. Além de incluir a tecnologia, a plataforma ajuda a desenvolver em sala de aula questões como a cultura popular e o engajamento estudantil.

Imagem dos dois criadores da plataforma, segurando juntos um celular que exibe o aplicativo Alfabantu
Criadores do aplicativo Alfabantu (Reprodução/Centro de Referências em Educação Integral)

Como funciona

O app se assemelha a um jogo e é composto por um glossário formado por diversas palavras. Dentre elas está o alfabeto kimbundu, números, saudações, partes do corpo e nomes de animais. Além disso, ainda há um quiz pensado como estratégia de memorização das palavras.

No Alfabantu, as palavras em kimbundu são apresentadas, acompanhadas de sua tradução para o português, pronúncia e uma ilustração. “O áudio permite esse outro conhecimento, pois a pronúncia, mesmo das palavras incorporadas pelo português brasileiro, é diferente. O kimbundu é uma língua mais nasalada”.

Com o auxílio da tecnologia, é possível elaborar planos de aula que deem conta, por exemplo, de apresentar o continente africano sem estereótipos, contemplando toda sua diversidade étnica-cultural. “Ainda se tem essa falsa ideia de que a África é um país só. No entanto, o continente é muito múltiplo e diverso. E explorar suas línguas é um caminho para essa descoberta”, aponta Odara.

Post com resumo e modificações produzidas pelo Caindo no Brasil da publicação “Aplicativo valoriza cultura afro-brasileira ensinando língua kimbundu, da repórter Thais Paiva para o Centro de Referências em Educação Integral.