Quem não sofreu nessas eleições levanta a mão. Por isso, a Numi –  escola criativa para crianças e adolescentes com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais, vai compartilhar um texto com dinâmicas bastante interessantes.

Sortudo é aquele que conseguiu passar esses meses sem se desgastar ou discutir com ninguém. E como ficam as crianças nessa bagunça? Enquanto alguns dizem que “política não é coisa de criança”, ainda assim não entendem que elas estão ali tentando entender esse furacão. Foi isso que eu vi em uma das minhas turmas na escola pública, crianças que repetem violências ou se preocupam com o que ouviram sem entender o motivo disso tudo.

A verdade é que nós, adultos, acabamos não nos dando conta do diálogo violento que adotamos para defender nossas ideias e expressar nossos sentimentos. E agora que acabou? Vida que segue? Eu acho que ainda não. Precisamos falar sobre humanidade. O “apontar de dedo” constante faz a gente esquecer que, por trás daquele cidadão, existe um ser humano. Um ser humano com medo, preocupado ou até esperançoso por uma mudança. Como trabalhar com as crianças, que tanto se sentiram impactadas pelos nossos discursos, sobre humanidade e compaixão? Vou te contar os 3 exercícios que levei para a sala de aula e que rendeu até lágrimas durante o processo:

A pessoa no cenário

Leve as crianças para um espaço público, e explique a elas a importância da gente buscar uma conexão verdadeira com o outro, em vez de criar julgamentos e pré-conceitos. Peça para que respirem fundo 3 vezes e, em silêncio, escolha uma pessoa que está passando. De longe, peça que a criança crie uma história ou responda algumas perguntas sobre essa pessoa. Qual é o nome dela? Quais são seus medos? Qual é o seu maior sonho? Ela tem filhos? Ela parece estar preocupada ou feliz? Esse é um exercício que vai render reflexões para o resto da vida: existe um ser humano por trás daquela pessoa que, antes, era apenas um elemento do cenário!

Qualidades do outro

Hora de exercitar um olhar compassivo para as pessoas que estão no nosso dia a dia. Fixe com fita adesiva nas costas de cada criança um papel em branco. Em seguida, dê 15 minutos para que cada uma escreva nas costas da outra qualidades que vê nelas. Os recados devem ser anônimos. O desafio é que todo mundo escreva pelo menos uma qualidade sobre o outro.

Essa dinâmica, no início, gera certa insegurança: “será que alguém vai escrever coisas ruins sobre mim?”. Acontece que todo mundo está vulnerável, e é natural que não queiram fazer com o outro o que não querem que façam com ele. É importante criar uma reflexão para contextualizar esse momento – existe, dentro de todos nós, um estado natural de compaixão. Vamos resgatá-lo?

Entreolhares

Já que os olhos são a janela da alma, por que não explorar o olhar para sentir a humanidade? Essa dinâmica é muito poderosa, e funciona tranquilamente com crianças e adultos. Peça para que as crianças formem duplas e sentem uma de frente para a outra.

Então, diga que elas terão que ficar durante 1 minuto olhando fixamente para os olhos da outra pessoa e, apenas por meio do olhar, transmitir o quer quer dizer a ela. Tudo isso em silêncio. Após esse tempo, elas podem dar um abraço no outro se quiser e a turma pode compartilhar como foi. A experiência pode ser repetida quantas vezes for interessante.

Essas são as minhas dinâmicas preferidas, e funcionou perfeitamente em todas as vezes que coloquei em prática! Experimente trazer essa nova perspectiva para a sua escola, os efeitos são incríveis. Acredito que o nosso país e as crianças nunca precisaram tanto de amor quanto precisam agora. Aliás, precisamos.